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IPCA-15: descontos nas mensalidades escolares ajudam a frear inflação em agosto

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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), subiu 0,23% em agosto, segundo divulgou nesta terça-feira (25) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com forte queda dos preços de educação, o que compensou a pressão da alta dos preços dos combustíveis.

O indicador – que é considerado uma prévia da inflação oficial do país – mostrou uma desaceleração em relação ao índice de julho, quando registrou alta de 0,3%.

Apesar do aumento nos preços de itens como gasolina e energia elétrica, a inflação permanece em patamares baixos em meio aos impactos da pandemia de coronavírus, fraca demanda e incertezas sobre o ritmo de recuperação da economia.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 0,90% e, nos últimos 12 meses, a variação acumulada é de 2,28%, acima dos 2,13% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores, mas ainda abaixo do piso da meta do governo para o ano. Em agosto de 2019, a taxa foi de 0,08%.

Prévia da inflação oficial fica em 0,23% em agosto — Foto: Economia G1

Prévia da inflação oficial fica em 0,23% em agosto — Foto: Economia G1

Analistas esperavam elevação de 0,24% em agosto, conforme mediana de 32 projeções de analistas ouvidos pelo Valor Data. O intervalo das projeções variava de 0,05% a 0,37%.

Preços de mensalidades escolares caem com pandemia

Já o grupo Educação registrou deflação (-3,27%) em agosto e exerceu a maior contribuição (-0,21 ponto percentual) para frear a alta do índice no mês.

Segundo o IBGE, com a suspensão das aulas presenciais, várias instituições de ensino concederam descontos nas mensalidades, o que entrou no cálculo do índice de agosto.

“Com a suspensão das aulas presenciais por conta da pandemia de Covid-19, várias instituições de ensino concederam descontos nos preços das mensalidades, que foram devidamente apropriados no IPCA-15 de agosto, conforme disposto na nota técnica 02/2020. Com isso, os preços dos cursos regulares recuaram 4,01%”, informou o IBGE.

maior queda foi observada na pré-escola (-7,30%), seguida pelos cursos de pós-graduação (-5,83%), de educação de jovens e adultos (-4,74%) e de ensino superior (-3,91%).

Veja o resultado para cada um dos 9 grupos pesquisados pelo IBGE:

  • Alimentação e bebidas: 0,34%
  • Habitação: 0,7%
  • Artigos de residência: 0,88%
  • Vestuário: -0,63
  • Transportes: 0,75%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,62%
  • Despesas pessoais: 0,03%
  • Educação: -3,27%
  • Comunicação: 0,86%

Combustíveis puxam alta

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 7 tiveram alta em agosto. Com alta de 0,75%, os preços do grupo Transportes foi o grupo que exerceu o maior impacto sobre o índice, embora tenha havido desaceleração em relação a julho (1,11%), quando também foi o grupo que mais pressionou a inflação.

“Os preços dos combustíveis subiram 2,31% e pressionaram a prévia da inflação, sendo que o maior impacto individual positivo (0,12 ponto percentual) veio da gasolina, com alta de 2,63%. O óleo diesel (3,58%) e o gás veicular (0,47%) também tiveram aumento nos preços, enquanto o etanol apresentou queda de 0,28%”, informou o IBGE.

Além do etanol, também houve recuo nos preços das passagens aéreas (-1,88%), do transporte por aplicativo (-6,75%) e do seguro de veículo (-1,92%).

maior alta entre os grupos veio de Artigos de residência (0,88%), que subiram pelo quarto mês seguido. As maiores pressões vieram dos itens TV, som e informática (2,50%) e eletrodomésticos e equipamentos (0,94%). Já os preços de mobiliário (-0,14%) seguiram em queda.

No grupo Habitação, o destaque foi a energia elétrica (1,61%), influenciada pelos reajustes tarifários em diversos estados, além de cimento (5,26%) e tijolo (4,83%).

Alimentos sobem acima do índice geral

Os preços do grupo Alimentação e bebidas apresentou alta de 0,34% em agosto, após a queda de 0,13% em julho. Os alimentos para consumo em casa subiram 0,61%, influenciados principalmente pela variação observada nos preços das carnes (3,06%), do leite longa vida (4,36%) e das frutas (2,47%). Também ficaram mais caros produtos importantes na cesta das famílias, como o arroz (2,22%) e o pão francês (0,99%).

Entre os itens que ficaram mais baratos no mês, destaque para tomate (-4,20%), cebola (-8,04%), alho (-8,15%) e batata-inglesa (-17,16%).

Na alimentação fora do domicílio (-0,30%), a refeição recuou 0,52% e o lanche teve alta de 0,20%.

Alta em todas as regiões do país

Segundo o IBGE, houve alta de preços em agosto em todas as regiões pesquisadas. O maior índice foi na região metropolitana de Belo Horizonte (0,37%). Já a menor variação foi em Brasília (0,08%). Em São Paulo e no Rio de Janeiro, houve alta de 0,25% e 0,20%, respectivamente.

Os preços foram coletados entre 15 de julho e 13 de agosto de 2020 e comparados com aqueles vigentes de 16 de junho a 14 de julho de 2020.

Perspectivas e meta de inflação

A expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central do governo para o IPCA, de 4%, e também do piso do sistema de metas, que é de 2,5% neste ano.

Segundo o relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, os analistas do mercado financeiro estimam uma inflação de 1,71% em 2020.

“O cenário inflacionário segue benigno, reforçando que não será por este fator que veremos pressões para revisão da política monetária no curto e no médio prazo”, avaliou Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco digital Modalmais.

O menor menor patamar da inflação desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já registrado foi em 1998 (1,65%).

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 2% – mínima histórica. O mercado segue prevendo manutenção da taxa básica de juros neste patamar até o fim deste ano.

Para o fim de 2021, a expectativa do mercado subiu de 2,75% para 3% ao ano. Isso quer dizer que os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Já para o Produto Interno Bruto (PIB), a projeção dos analistas é de um tombo de 5,46% em 2020.

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